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“Dedicatorias” – Pousei em Ti…


Pousei em ti
Como ave no seu ninho;
Pousei em ti,
Muito de mansinho,
Tal como a noite cai
E a lua sai,
De braços estendidos
Para um abraço.

Não fujas, não!
Minha nau de segredos!
Leva-me, navega-me
Através dos meus medos.
Embala-me no olhar
Do teu espírito
De janela fechada,
Mas para amar,
Aberta, revelada.

Hugo Rosado
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“Dedicatorias” – Quando se está cansado e apraz ser Outro…


Quando se está cansado e apraz ser outro
Só porque isso é impossível, há vagar
Para pensar que há um género que é neutro
No latim virgem do sonhar.

Sim, há cansaços sem saber de quê
Que tornam toda a vida e a sua sina
Uma coisa indecisa que não é
Masculina ou feminina.

Há estados de sem alma que se alastram
Pelos domínios quedos da razão
Com cheias de rios que desbastam
Com a sua fecundação.

Depois regressa ao leito o rio antigo
E a alma volve à quietação que teve.
E o que nos foi amigo e inimigo
Nem homem nem mulher esteve.

Foi um andrógino da noite muda
Que transmudou em nós o que pensou…
E a alma se ergueu do leito em que foi surda
E já não sabe o que sonhou.

Fernando Pessoa: 15 – 9 – 1934

“Dedicatorias” – Somente hoje Queria…


Somente hoje
Queria imaginar teu abraço
Ouvir tua voz num telefonema inesperado
Receber uma nova mensagem
Explicando a tua ausência

HOJE
Somente hoje
Queria estar em completo silêncio
Pra fantasiar nosso encontro
Queria estar aí do seu lado
Preenchendo toda minha carência

HOJE
Somente hoje
Queria ser forte o bastante
Pra transpor todos obstáculos
Sair da lucidez, cair em demência
E me perder em teus beijos e abraços

Edna Vejan

 

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